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10 de junho de 2013

Espero que eu seja a primeira a saber se tudo isso for apenas coisa da minha cabeça.
Que tu me digas para parar, ou apenas faça um sinal de longe, antes que eu nos imagine em uma casa com varanda e dois filhos. O que eu já imaginei.
Não que eu pense em ti toda a noite, claro que não. Ou talvez sim. Mas quem se importa?
Era tudo sobre nós quando eu sorria encolhidinha no canto da sala, e era tudo sobre nós quando eu segurava a lágrima até chegar ao banho.
Espero que tu sejas tu. Que eu me apaixone por ti, e não pela ideia que tenho de você. 

8 de março de 2013

Você se foi e eu perdi o meu sentido. Perdi meus braços, minha fala, minha sede. Meu colo e meu sono. Minha trilha, meu rastro e meu molde. Perdi a bússola, o caminho e o senso. 
No vazio de meu próprio e delicado conforto fiquei resolvendo questões matemáticas sobre distância, vai ver te trazia de volta na teoria.
Te segurava forte com medo de escapar-te por entre meus dedos, e quando vi estava com o vento na palma de minha mão. Escapou-te, roubou-me.
Perco o norte, perco o chão. Ferida exposta, saudades mal tratada.
Você se foi e eu perdi. Perdi o senso, o talento e o brilho. Perdi a bomba relógio, a ampulheta. Perdi o tempo.

8 de fevereiro de 2013

“Tu é linda”, ele me disse.
De um jeito calmo, doce e um pouco envergonhado. Acompanhado com um sorrisinho de canto e brilho nos olhos. Foi o suficiente para eu querer viver naquele momento por horas, talvez dias.
Me lembrei daquele dia no parque, que ele me disse que ficaria pra sempre. Me lembrei de quando ele fez uma trança no meu cabelo, que não ficou nada legal. Lembrei daquela vez que a gente brigou e dissemos que estava tudo acabado, daquela vez que eu pensei que ele ia me trocar, da vez que pensaram que éramos casados e da vez que eu achei a aliança de compromisso no bolso do casaco dele. Me lembrei da primeira vez que ele me disse “eu te amo”, e eu gritei “o quê!?”. E da vez logo depois dessa que eu corri até a casa dele e disse “eu também de amo”, e ele respondeu do mesmo jeito que eu. Lembrei-me da vez que compramos o cd do Arctic Monkeys e ele perdeu a caixinha, da vez que não encontramos o dvd para devolver na locadora e a vez que perdemos o voo em Buenos Aires.
Lembrei de tanta coisa que quase esqueci que ele estava ali, bem na minha frente, com a mão em minha bochecha, esperando uma resposta. 
“O quê!?”, eu gritei.

3 de fevereiro de 2013


Se eu tivesse gritado, você teria ficado?
Penso nisso enquanto te vejo chorar de longe. Você está sentada na última cadeira da mesa, evitando contato visual com qualquer pessoa, cobrindo o rosto com os cabelos. Eu me provoco tentando saber qual motivo da tristeza... Alguns meses atrás você me deixaria saber.
Teria me dado um prazer em te ver daquele jeito, mas aí aconteceu de você jogar o cabelo para trás, permitindo seus olhos de encontrarem os meus. É uma jogada suja, e você sabia disso. Só o que eu pensava agora era em te proteger. Abraçar-te bem forte, te deixar falar ou apenas te confortar. Eu tinha esse direito e ainda não sei o porquê de você ter tirado ele de mim.
Mas, por favor, me fale. Se eu tivesse gritado, você teria ficado? Se eu tivesse te atormentado, pedido explicação, você teria sentado no sofá e pensado melhor?
Você se levantou da mesa, passou por mim e eu sorri. Foi sem querer, desculpa.
Se eu gritar você sorri de volta? 

28 de janeiro de 2013

Então faça. Obrigue-me a te escutar antes mesmo do intervalo do meu programa favorito. Desligue o rádio do carro, respire fundo e me conte.
Esse é o ponto. Não fique calado... Eu ainda não tenho o superpoder de adivinhar o que se passa em sua cabeça, ninguém têm.
Pare de olhar pela janela por um minuto só, vire-se para mim. Esqueça as tentativas de fuga, você está fugindo de si mesmo.
Jogue o lençol no chão, levante da cama fazendo o contorno na cabeceira e arruíne meu sono. Faça-me perder a noite te escutando, gritando. Roube minha xícara de café pela manhã e arranque o jornal de minhas mãos. Incomode-me e me atormente, só não fique parado do outro lado da sala, observando eu achar que está tudo perdido.
Diga alguma coisa, nem que seja sobre o tempo. Nem que estrague a minha noite. 

Essa semana me bateu uma saudade de nós... Na verdade não é nem “uma saudade” é quatro, oito, vinte...
Senti saudades na verdade dos teus olhos. Na verdade daquele teu olhar de reprovação, que foi o último que recebi. Do jeito que eles não se aguentavam abertos no meio de um filme chato, e do jeito que você olhava braba para a minha escolha de livro. Do jeito os teus olhinhos brilhavam ao ouvir a tua música preferida tocando na rádio no caminho da sua casa.
Me lembrei dos teus cabelos. Longos, morenos e macios, meigos como tu. Do jeito como eles caíam perfeitamente sobre o seu rosto quando você está rindo da minha cara, e do jeito que eles caem sobre os ombros quando você se deita na cama, ás vezes era bem do meu ladinho.
A tua risada veio a minha cabeça em uma noite vazia, por falar disso. Doce e sincera.
Uma saudade, duas saudades, três saudades...

27 de janeiro de 2013

Existem mil e um tipos de suspiros. Mas eu, por exemplo, conheço apenas três deles. 
O primeiro é aquele que não consegue conter a lágrima como você queria. Pode ser de nervosismo, na verdade. Sabe, o suspiro que a noiva dá nos últimos 19 segundos de solteira. O suspiro inevitável de quando você está na esteira de bagagens do aeroporto e vê sua mãe abanando lá de longe, bem atrás do pilar branco. Esse é o típico suspiro mal pensado.
O segundo é o que vem quando te dão a noção do que você acabou de fazer. Ele normalmente se faz presente alguns segundos depois de descobrir que cometeu um grande erro. É o suspiro que damos ao ver a nota vermelha no boletim, quando lembramos que deixamos a chapinha ligada na casa vazia. É o suspiro do bêbado ao ver as fotos da noite anterior, e é o suspiro que damos ao saber que perdemos a maior parte de nós.
Mil e um tipos de suspiros, talvez mil e cinco, mil e cem. Mas nenhum como o terceiro.
O terceiro é o que chamado de “decepção”. Sabe, quando escolhemos, ou sem opção, acreditar em alguém, ou em alguma chance. É quando confundimos esperança com planejamento. É o suspiro comum após descobrir que aquele teu amigo de infância não foi atrás das coisas com as quais tanto sonhava. É o suspiro do pai ao ver o filho desistir, da professora ao ver o reprovado. É o suspiro ao ver que não foi o escolhido, e que não te perdoaram. Mas o pior dos piores níveis do terceiro suspiro, é o olhando para o espelho, ao saber que não cumpriu o que prometeu, talvez o juramento para si mesmo.
Suspiros exigem uma linguagem completa, envolvendo olhos, boca e coração. Suspiro aquele lindo ao ver a pessoa amada no topo do mundo e ao mesmo tempo no sofá, e o suspiro que antecede esse, muito usado ao pensar que nada irá melhorar.
Mas temos tanto tempo, e mil, cento e um suspiros para conhecer e receber. Por enquanto, disfarça com o clássico “respirar fundo”.

16 de janeiro de 2013

Eu poderia passar o resto do dia te observando. Contando quantas vezes você meche em seu cabelo, e quantas vezes eu suspiro ao presenciar isso. Eu poderia viver das suas histórias, se você me deixasse.
Eu poderia chegar de mansinho, te fazer um carinho. 
Poderia ser a sua maior amiga, te fazer rir pela manhã e te deixar preparar o meu café.
Deitar minha cabeça em teu peito, ouvir a batida do teu coração e logo pegar no sono.
Seus finais de tarde com o violão poderiam ser a minha trilha sonora, e os teus momentos sozinhos na varanda ainda seriam teus. Eu poderia ler as tuas cartas antigas a noite inteira, poderia viajar pelo mundo e me sentir em casa contigo. Eu poderia escrever pra ti, como se nunca fizesse isso.
Eu poderia te deixar fazer massagem em meus ombros e a puxar a cadeira do restaurante antes de eu me sentar. 
Eu poderia, passinho por passinho, ficar do teu ladinho.

25 de dezembro de 2012

Não existe maior força do que o teu olhar. Aquele que você me lança por cima do copo ainda cheio, o qual finges estar bebendo algo dele desde o começo da noite. Você não consegue segurar o sorriso tímido, e me faz perder a cabeça, feito por do sol alaranjado no final da tarde do domingo. Minha risada contida ao ritmo da tua, na mesma escala, olhos apertados meus e teus, se conversam sem querer. E então a minha batida era a tua batida, companheiro de algo maior e novo. Nada mais forte que o teu olhar, nada mais fraco que o meu ao te ver, perdida que estou.

21 de dezembro de 2012

Saudades do mundo redondo e azul, aquele descrito pelo astronauta conquistador.
Mas sabe se lá das coisas de hoje em dia... Tudo tão preto e branco, tão cinza. Tudo em roda, confusão.
Saudades de saber de tudo, de certeza entregas em minhas mãos.
Quem me dera conhecer o redondo e azul.

11 de dezembro de 2012

Te faça malandro assim que souberes o que é.
Malandro é aquele que aguenta a pressão, que corre para o lado ao contrário sem se importar. Malandro mesmo é aquele que sabe o que é errado, que não faz porque foi feito, que sabe o que vai ganhar.
Malandro não é aquele que é usuário de drogas por aplausos de "amigos" em uma noite de perdas. Malandro não é aquele que fingi que não sabe, não é aquele que faz mau uso de tudo o que tem. Não é aquele que bebe sem parar por umas risadas a mais.
Malandro mesmo é aquele que tá sorrindo lá na frente.

28 de novembro de 2012


Não basta ser o melhor suficiente. É preciso ser o melhor que existe.
Pelo menos é essa a ideia que a geração que tenho conhecimento tem hoje em dia. Se tornou ruim estar na média de capacidade, tornou-se pouco tentar só quando necessitado, se tornaram fracos aqueles que não conquistam.
O que aconteceu com aquele velho "cada um é cada um", ou o típico dilema que diz que o importante é tentar, e não desistir?
A pressão se define em ter ou não coragem para enfrentá-la de frente.
Receber um dom e talvez não usá-lo como queria, talvez por não saber. Ter berço em dons que não tens da mesma forma.
Pressão deixa os mais bravos se tornarem frágeis, desistentes, medrosos. Pressão torna os mais desconhecidos, os mais ambiciosos.
Ter um dom de verdade é saber lidar com a pressão.

22 de novembro de 2012

Não, eu não vou ser a última a deitar.
Pelo menos não se for para ser a minha vez de desligar o abajur.
Do mesmo jeito que você não terá para sempre a paciência de regar o gramado, eu não terei para sorrir toda vez que você chegar em casa. Não espere que eu vou te agradecer toda vez que me disser que estou linda, o que parece já ser automático de se dizer nos últimos meses.
Eu peço todos os dias por alguém como você, ou talvez só por alguém.
Eu nunca prometi que seria como no filme que assistimos quando fingíamos não nos suportar, eu não prometi que seria como eu era quando eu precisava te conquistar.
Eu não sei dividir a cama, não consigo dormir com a tv ligada e não durmo por muito tempo, aliás.
Eu sei que você ama o pôr-do-sol, você fica lindo iluminado por ele e tomado por um sorriso.
Eu não vou te desejar um bom dia todas as vezes que sentar para o café da manhã, e não vou fugir quando você disser que precisa ficar sozinho.
Mas quem vai me parar, e dizer que é impossível? Que é errado eu estar tão certa que eu não sou quem você imaginava e você não é quem eu preciso. Quem vai me dizer que não é assim que deve ser, e por isso que realmente é.
Hoje é o seu dia de desligar o abajur, eu desliguei domingo.

20 de novembro de 2012

O tempo não comprou passagem de volta. Tenho lembranças e não saudades.

11 de novembro de 2012


E tu me faz tão bem.
Sabe, aquele tipo de pessoa que entra na tua vida na hora errada, do jeito mais improvável impossível. Mas permanece lá, aqui, bem do lado e por aí, até poder dizer o que sempre quis e fazer o que sempre deveu.
Aquele tipo de abraço que te pega de surpresa, que te faz deitar a cabeça no ombro, e fechar os olhos sem sono. Que sorri pra te ver sorrir.
Que nunca foge e nem insisti, que espera e não explica, que faz e nunca mais vai.
Tu, com esse jeito que ninguém entende, que só me faz querer ficar do teu lado toda hora, e nem pensar ou planejar por quanto tempo ainda devo ficar por ali.
De repente.
Tu me faz tão, tão, bem.

5 de novembro de 2012

Quem me dera morrer de felicidade e continuar no caminho para desfrutar disso.

Só queria poder dizer que gosto de tudo isso. De dizer que não estou com medo de todo esse tempo passando e eu sem saber para qual direção ele corre. 
Queria ouvir de uma voz calma que está tudo bem. Queria que me contassem que esse sim é o segredo de tudo, que eu tinha o descoberto.
Só queria poder dizer que tudo está valendo a pena, e que não tenho nada a perder.

Eu volto para àquele café todo o domingo.
Peço o mesmo prato de todas as outras vezes para a garçonete de cabelo curtinho, que até ri me oferecendo novas opções de comida. O cara da mesa ao lado me lança um olhar de pena, mas sei que ele também vem aqui todos os domingos desde a muito tempo atrás.
Os mesmos carros passam, a mesma moça suada de bicicleta, o mesmo anúncio de imobiliária estampado no muro do outro lado da rua.
Eu volto para esse lugar constantemente como se não tivesse outra escolha.
As mesmas notícias no jornal da cidade, os mesmos jovens passando e rindo colado na janela do café, os mesmos preços altos de tudo naquele lugar.
Você vinha aqui nesse lugar comigo e éramos somente nós, a garçonete-cabelo-curtinho sorria mais, e o cara da mesa ao lado sentava mais longe.
Eu vinha aqui pelas manhãs dos feriados com meu pai e falávamos de tudo.
Ria alto aqui com meus amigos, mais alto do que os adolescentes que aqui pelo lado sempre passam.
O café está cada vez menor, e eu já o vejo como ultrapassado, e isso é o meu maior medo.
Viro o jornal e está estampado na última página um mundo inteiro mudando todo o dia, e eu nesse lugar, brincando com a colher de açúcar como se fosse o melhor que eu pudesse fazer. 
Os mesmos panfletos espalhados na rua, o mesmo menino de rua deitado na calçada, a mesma vitrine tentadora, e eu agora sorrindo e virando a esquina errada em uma manhã de domingo.

28 de outubro de 2012

“Não vou ser egoísta a ponto de achar que está tudo uma merda. Tenho família que me ama, tenho amigos que me amam, tenho saúde, tenho sonhos, tenho pequenas alegrias. Mas sempre falta uma coisinha, a gente sempre quer o que não tem. A gente sempre arruma um “mas” pra dizer que não está tudo bem.”
- Clarissa Corrêa.
Sabe aquela história, de "o céu é o limite"? Ultimamente, eu estou bem perto do céu.
Se eu ficar na pontinha dos pés, eu encosto.
O medo é algo pensado nos últimos tempos, como se eu tivesse que analisar as situações umas três vezes pra conseguir entender o porque de eu estar tão confiante. Na verdade, medo eu tenho é dessa confiança. E se o caminho que parece tão certo é só ilusão?
"Pode até parecer fraqueza, mas que seja fraqueza então".
É aquela coisa do tipo, vai, só vai e nem pensa nos jeitos de voltar. Não volte. Se der errado, é só ir mais para frente. Tipo jogo de tabuleiro, aqueles que jogávamos nas férias de verão com a família.
"Já não me preocupo se eu não sei por que. Às vezes, o que eu vejo, quase ninguém vê".
Tenho medo é de não saber do que tenho medo. Mas não temo o lugar onde vou chegar, seja ele qual for. O medo, é subjetivo.
"O céu é o limite", e eu estou sentada nele.

23 de outubro de 2012


Alguns anos atrás, borrar a maquiagem era um desastre. Com aquele borrão de batom vermelho, a mãe com certeza notaria que você pegou as maquiagens dela sem supervisão.
Enjoamos fácil, queremos mais, gritamos alto, adolescemos rápido.
Bagunça se torna rotina, roupas pelo quarto, mais de cem peças, mas não temos nenhuma. Não para um sábado à noite. Maquiamos para esquecer, e para fazer lembrar. Saias curtas, pais bravos, irmãos ciumentos. "Plec plec" de sapatos altos às 5 horas da madrugada, mãe preocupada sem dormir, e você sem lugar para deitar por causa das roupas pelo quarto.
Corremos contra o tempo, gastamos ele, reclamamos do melhor de tudo.
Um dia, mais tarde,acordar em outra cama, mas ter certeza que deixou o quarto arrumado. Um lençol com cheiro de bebida, e você com medo de levantar. Uma noite esquecida, não dormida. Pela primeira vez querer estar ao lado de seu despertador.
Fingimos ter uma só noite para nos fazer lembrar, um só noite para fazer valer a pena. Nos perdemos em vontades. Nos perdemos.
Batemos boca, dançamos a noite toda, queremos voltar logo, não só para casa. Queremos voltar.
Que desastre borrar o batom vermelho. Vem mãe, me ajuda na supervisão. 

21 de outubro de 2012


Aí quando tudo está aparentemente perdido você passa de bicicleta na avenida principal e perde sua linha reta por estar observando cada detalhe em toda a rua lateral que passas. Não tem como sair daquela avenida, afinal é aonde você foi criada para estar, é onde todos os outros estão andando, cada um fingindo que sabe o que fazer. Em cada uma dessas laterais esquecidas você olha bem ao fundo, esquecendo até de virar a cabeça e impedir uma queda. Só o que você quer é achar naqueles becos escuros um motivo para  teu dia ter valido a pena. Um passarinho cantando alto, uma única flor cor-de-rosa no outono, ou uma bicicleta sozinha.

16 de outubro de 2012

Eu não tenho medo de morrer.
Tenho medo de morrer sabendo que iria.
Tenho medo de morrer e perder o que nem tinha ganho ainda.
Tenho medo de morrer e nunca ter aprendido a viver.

Que o número do biscoito chinês seja justo o que eu não esperava, só dessa vez.
E que então eu não tenha mais medo de caminhar, ou de ir longe. Que, por favor, tudo isso faça algum sentido, que depois disso todos os desastres e quedas do mundo tenha uma explicação no mínimo convincente. E que então tudo isso não seja só mais uma "lição de moral", do estilo frase de biscoito da sorte. Bem que eu precisava de um desses. Um biscoito da sorte comprado na esquina que me diga que não devo fazer isso, ou que deveria, mas que não daria na mesma rotina do "viu, eu te avisei". Que o número então seja roubado, e que eu fique perdida, e não tenha mais certeza, aí talvez fosse mais emocionante.
E que então o número do biscoito da sorte entenda que eu só não queria entender, assim como qualquer outro.

13 de outubro de 2012


O meu maior medo era cair na geração do "eu preciso de alguém". Mas sinceramente, manter-se fora dessa vontade é algo duro e complicado.
Eu preciso de alguém que segure minha mão enquanto desso as escadas, alguém que me ensine a jogar xadrez e a ligar o fogão.
Preciso, ou simplesmente quero alguém que me ache bonita quando recém acordei e não me irrite nas manhãs de segunda-feira.
Preciso de alguém que se apaixone quando estou de moletom, que me faça cócegas até que eu solte o controle remoto e odeie o cheiro de esmaltes.
Alguém que não esteja todos os minutos aqui em casa, mas ficaria por horas se eu pedisse. Alguém que não goste que eu use sapatos altos para não ficar maior que ele.
Alguém que não deixe o microondas apitar e jamais deixe o volume da TV em números ímpares.
Alguém que saiba lidar com aplausos.

12 de outubro de 2012

E a frase do dia é "feliz dia das crianças" e o adicional é algo do tipo "para todos que nunca deixaram de ser uma".
O clichê dessa ideia do dia é algo que se encaixa em cada um de nós. Quem não é criança quando vê um brigadeiro em cima da mesa, ou quando é para deitar a cabeça no peito do pai só pra ouvir o coração dele. Todos somos crianças quando lança um novo episódio de Bob Esponja, ou quando a mãe chega do supermercado com uma sacola de bobagens. Impossível não ser criança quando é para ganhar biscoito de vó, sentar na mesa menor nos almoços de família ou viajar com os amigos.
Quem não tem saudades de acordar no meio da manhã e arrastar a cobertinha até a tv da sala onde ficaria vendo desenhos animadas até o meio dia? Quem não tem saudades de sair correndo do banho, ou ficar por uma hora debaixo do chuveiro? Saudades do "quando casar sara" depois de ralar o joelho e passar mertiolate e do "não foi nada" depois de quebrar um copo de vidro que ainda estava longe de ser servido com bebida.
Um feliz dia da crianças para todos os adolescentes, adultos e idosos, que são os pirralhos mais bem vividos dessa dádiva chamada infância.

4 de outubro de 2012


Eu só queria uma casa com quintal e cadeira de balanço. Meu pai senta-se a noite com as luzes apagadas, cena de filme. Seu cigarro brilha no escuro, é um dos primeiros que o vejo chegar perto, não é de costume. A sala está em silêncio, e a TV está desligada desde a partida dele. Passo sem um comentário ou suspiro, eu sei que não deveria estar em casa, não agora. Na ponta dos pés e adrenalina no corpo, vou ao quarto principal onde minha mãe olha para o álbum de fotos pela décima vez esse mês. Ouço-a recordando antigas citações e doces sonhos. Mas eu me esqueci como sonhar, e eles também. 

2 de outubro de 2012

E quando te perguntam se está tudo bem, eles ainda não sabem se existe um padrão de "bem" determinado.
Eu tenho mania de novidades.
É disso do que eu me alimento. Eu preciso ter uma história para contar, um motivo para me olhar no espelho, uma ferramenta para usar, uma armadura para vestir, um porque e uma solução. Na verdade, eu não gosto de soluções, resoluções. A vida sem dúvidas é chata, parada. Eu preciso de algo que me mova, que me faça querer o fim de semana, algo para contar os dias, viver dia por dia. Eu preciso ganhar perdendo. Ter, mas não por inteiro.

23 de setembro de 2012


E agora eu choro no meio da noite, só implorando, remendando e repetindo que eu teria feito diferente. E agora eu não saio sozinha de casa por medo de encontrar alguém como você no meio do caminho. Agora eu não ouço músicas românticas por não querer me identificar, e não leio livros por medo de me perder em meio a pensamentos sobre você. E agora eu escreve coisas bobas de amor ou ilusão e é tudo por causa de você.

22 de setembro de 2012


Simplesmente deite-se ao meu lado ocupando lugar na cama bagunçada e me diga que a chuva não será forte. Me diga que o imposto não vai aumentar, que as crianças não vão parar de brincar e que o balão não vai furar se eu levá-lo para longe. Me diga que não vai chover no feriado e que o jornal não vai chegar atrasado no domingo. Me diga que não está tudo errado só para eu achar que não está mesmo. Me diga que a geladeira não vai estar vazia e o cinema não vai estar lotado. Só não me diga que ficará aqui deitado para sempre.
O caminho do parque é bem esburacado.
Não deveria ser... Na verdade nem sei quando eles apareceram, mas com certeza isso aconteceu depois dos meus 7 anos. É, eu andava de bicicleta nessa mesma passagem de concreto, por entre a grama não muito aparada, enquanto o meu pai torcia para que eu não caísse dando uma "batitinhas" no topo do meu capacete de proteção. Na verdade esse capacete não adiantou o imaginado, já que uma vez voltei com um dente de leite a menos para a casa.
Se meu pai ainda estivesse aqui, ele ficaria indignado com essa história do caminho do parque estar todo esburacado e com pedras soltas. Ele diria que era perigoso, e reclamaria com a segurança do parque. Mas isso não está mais ao seu alcance. É, sorte dele que não tem de passar de novo por esse caminho.
Eu sei que tem o outro lado do parque, que com certeza não está desse jeito pois foi construído nos últimos meses, sem eu perceber também. Ou talvez eu tenha percebido, só não quis enxergar mesmo. Eu vejo pelo rio, me movo pela água, de margem à margem, nada mais, mas a cada árvore no caminho volto ao cimento antigo e já perco a visão daquela menina de capacete lá do outro lado.O grande portão desse lugar não é algo que saia da minha cabeça tão fácil. Ele é o maior portão que já vi, ou não, mas eu saí daquele lugar antes do escurecer, ou antes do por do sol, e foi como se eu nunca tivesse saído. Na verdade não sei se já tinha saído de lá sem o papai.
Eu só queria um outro lugar para poder ir também, entende? Para pensar, cantarolar minhas músicas ou até mesmo andar de bicicleta sem capacete.
A verdade é que eu fiz os buracos do caminho do parque. 

15 de setembro de 2012


Vamos, amor frágil, apenas dure o ano... Coloque um pouco de graça, nós nunca estivemos aqui.
A flor vai morrer, até cair do vaso de uns anos atrás sob a mesa de centro.
Vai acontecer, exatamente como a vovó falou.
Dizia ela que iria ser bem rápido, sem percebermos. Mas eu sei que mamãe percebeu, desde o começo. Estátua era ela parada de frente para aquela rosa que nunca vi de um botão tão grande, se balançando em câmera lenta naquela velha cadeira de balanço que arranhava a tinta do piso de "madeira".
Todos carregaram aquela flor por longo tempo, peso nas costas, beleza para os olhos.
A flor vai morrer, até cair do vaso de muito menos de cem anos sob a mesa que nunca vi tão no centro. A flor vai se ir. E vovó já sabia disso.
Não é fácil... Mas ninguém prometeu que seria.
Admito que já imaginava como tudo estaria agora. Teatralizava o meu choro e já me imaginava perdendo tudo. Mal sabia eu que tristeza não se imaginava.
Só, por favor, não me deixe com as suas farsas, sorrisos por dó que logo não são mais sorrisos. Não me leve do meu mundo, nem entre derrubando-me contra as frágeis paredes. Só não me tire daqui se for para me levar para outro perigo, ou algo que me iluda ao pensar que sou corajosa. Só não.... Não.
E o caminho parece ser infinito. Parece que estou a muito mais do que décadas nessa avenida asfaltada, quando na verdade ainda nem virei a esquina da padaria do seu Zé. Enquanto não chego, fico ensaiando e reensaiando o que vou dizer quando você abrir a porta, ou pelo menos a cortina da janela... Como se eu nunca tivesse ensaiado isso com a parede escura nas madrugadas de domingos. Nunca havia reparado no quão grandes e assustadores esses out-door's que me param no caminho são. Observo cada um deles, fingindo que não tenho algo mais importante a fazer. Vai ver nem tenho mesmo. Já poderia ter chego, mas estou a dar a terceira volta em seu quarteirão, vai ver comece a chover e eu tenha que voltar, e não seria minha culpa, ou você saísse de casa... Vai ver eu criava coragem. Sabe, os 20 segundos de coragem. Mas foram muito mais do que 20. Ou do que 100. Eu fiquei por horas batendo em sua porta, sem resposta. Você estava lá, e saiu quando já anoitecia. Passou por mim, como se nunca tivesse passado, com o seu moletom vermelho passou como se eu não estivesse parada ali ofegante para falar o que precisava. Incrível, achou que se colocasse o capuz do moletom a chuva que começou a muito menos do que os 20 segundos não te faria vítima, enquanto meu cabelo parece que vai desmanchar, ou evaporar. Eu falei... e você não escutou, assim como a parede na madrugada.

11 de setembro de 2012

- Mas e se eu te contasse que estou partindo?
- Linda, porque está falando isso? Que horrível.
- Porque isso seria horrível?
- Ah, jamais pensaria nisso né...
- Mas e se isso viesse a ser verdade?
- Ana...
- Até porque, eu tenho câncer.
- Ana? Já falamos disso, e estamos aqui nesse quarto de hospital, você está indo muito bem no tratamento!
- É, mas eu queria te contar de novo, pra já se preparar pro dia em que me ver careca.
- Você vai ficar linda careca.
- Não brinca.
- Não estou brincando.
- Só, por favor, prometa não derramar uma sequer lágrima.
- Prometo. Agora me de sua mão.
- Aqui.
- Você é a coisa mais linda desse mundo, a menina mais bonita que já conheci. És a razão de tudo.
- Pedro...
- Espera. Contigo ao meu lado, consigo ir até as estrelas e voltar a tempo de ir a um piquenique com você.
- Mas...
- Mas você estará sempre aqui, porque você é o meu melhor sorriso e o meu maior amor, é eterna.
- Me devolva minha mão.
- Porque?
- Porque tenho medo de você segurar e eu não quiser que nunca mais solte.
- Eu não vou soltar.
- Promete?
- Prometo.
- Mas você tinha prometido não derramar uma sequer lágrima também, e está chorando.
- Estou chorando por medo de ser você quem vai soltar minha mão.
- Eu te amo.
- Eu te amo.

5 de setembro de 2012

Eu sinto falta. É difícil, e até dói admitir. Eu prometi que não seria assim, prometi isso a mim mesma, que não ligaria, e que viveria sem. Mas eu sinto. E isso está se tornando maior do que eu. Talvez, por qualquer consequência, eu não sinta falta de você por si só, e sim de como eu era ao seu lado, ou só com a ideia de que tudo era de verdade. Era tudo aquilo de verdade? Capitulo de mistério em livro de romance bobo. Sabe quando se sente um vazio, não tão a fundo, e sim na superfície de si mesmo? Quando a dor, a falta e a ausência podem ser resolvidos ou substituídos por outro alguém, um abraço forte qualquer ou um pote de sorvete? Não é isso. A falta que sinto de você é algo que toca bem lá dentro, onde ninguém nunca conseguiu chegar, nem jamais sair. Saia, ou não... Só... fique? E prometa que se sair, vai levar tudo o que tenho de você. Injustiça, você levou partes de mim também. Clichê. E desde aquele dia em que o sol não voltou, toda noite fico no escuro de olhos selados, e por entre lágrimas solto risinhos indisfarçáveis ainda sentindo você segurando minha mão com força para me mostrar aquela estrela longe, e o seu abraço inesperado mostrando o quanto você está perto. Estava perto. Só, por favor, fique lá fora, na chuva e frio, sem nem suspeitar se vou abrir a porta, ainda esperando que eu te abrace dizendo "sim, eu aceito" e aí estaríamos de volta, como em qualquer outro livro de romance bobo e crescido. Ou só vá embora de uma vez, por inteiro. Todos dizem "coisas ruins acontecem por um motivo". É incrível como eu já tinha a exata ideia de como seria o "fim" desse filme. É fim e eu ainda não fui embora.

1 de setembro de 2012


E se a piada perder a graça?
Admito ter medo de não rir mais do meu filme favorito algum dia, ou não querer mais assisti-lo. Não dançar ao som da minha banda predileta, ou não fechar os olhos para ouvir a música que me lembra aquele dia. Admito ter medo de não sentir mais o que sentia quando via aquela foto, ou nem querer mais tira-lá da antiga gaveta.
Medo de não amar pelo tempo suficiente.

29 de agosto de 2012

19 de agosto de 2012

Ela é a coisinha mais linda que eu já vi. Suas mechas de cabelo escondendo o rio que todos enxergam em seus olhos. Olhar o dela de mulher grande, vazio de escuro, abundante em águas correntes onde se passam tudo o que jamais temeria, mas que jamais enfrentou. Ela com suas danças esquisitas, sensual ao extremo entre tropeços em seus próprios pés, com seu casaco quase levado pelo vento forte. E gira. E gira. Menina nem os olhos conseguia abrir enquanto de braços abertos rodopiava em meio ao lugar desconhecido. Ela é o sonho mais lindo dos quais eu já quis ser.
É bobo, sabe... Esse meu medo do mar. É algo que surgiu de repente, sem nenhuma lenda de monstros das águas ou tempo ruim de maré fria. Sabe, sentar na areia fina queimada pelo Sol forte e por meio a banhistas descontrolados apreciar a paisagem de encontro confuso do mar ao céu, que ainda não me convenceu ser algo menos abstrato do que parece. As ondas que crescem assustadoramente até quebrarem em si mesmas, fazendo barulhos absurdos que incrivelmente soam bem, como se fosse algo dentro da tua própria cabeça... Tempestade das águas. Aquela grandeza de imagem inalcançável ao foco dos meus olhos... Nossa, como grande é o mar. Tão perto do céu e longe da areia úmida da beira, pequeninha eu seria em meio ao oceano, levada pela maré, pelo vento, talvez por meus tropeços. Mas como grande está essa areia fina embaixo de mim.

6 de agosto de 2012

Pensar em ti já era rotina, te amar era contínuo e decepcionar-me era frequente. Você era a minha cor, e eu vivia nesse colorido, como se você já tivesse me pintado antes... E pintou. Noites pinceladas em claro pensando em ti, imaginando você rindo pausadamente enquanto canta roucamente em meus ouvidos, a gente meio perdido em algum lugar da estrada esperando a nossa carona que nunca chegou, e eu acabei por esperar sozinha. Por só um segundo, queria te ver contando as moedas perguntando ao moço da floricultura quando custa a flor que te falei que adorava. De tanto fingir, fantasiar e persistir, esqueci onde estávamos,e quando acordei, vi que nunca existimos. Te amar, ou pelo menos acreditar nisso, já era costume, como se fosse o que eu devesse fazer ao invés de ficar escrevendo cartas sem ponto nenhum como essa...
- Conte tuas moedas, meu vaso precisa da flor e minhas histórias de um "amor".

2 de agosto de 2012

-Esperança... era o que tínhamos para Julho, não é mesmo, pequena?
-Era, era sim. Mas o que vai ser o por-do-sol de agosto, mestre?
-Não sei pequena, diga-me você.
-Dessa vez eu tenho certeza. O por-do-sol será paz.
-Paz, pequena?
-Isso Mestre. Paz.
-Tem como me explicar?
-É exatamente isso, mestre. Não tem o que explicar, é só descobrir.

31 de julho de 2012

Talvez seja um clichê mesmo... Sabe, tudo isso. 
Você, com esses seus olhos apertadinhos fugindo da luz do sol, hipinotizando-me aos poucos, tomando-me aos montes. Olhos de quem nunca passou por uma tempestade por opção, olhos firmes ao "sabe-se lá o que".
Sente-se ao meu lado como costumava fazer nos tempos aqueles de sol forte, de chuva fraca, e faça-me aquele carinho em minha cabeça enquanto arrumava meu cabelo, faz. Enquanto me fazia rir com piadas bobas sobre qualquer coisa.
Clichês daquelas nossas noites vazias ao todo, nunca vi vazio tão cheio, com você deitada na grama comprida sob o céu que nunca vi tão estrelado. Faça-me sentir como naquelas noites quando seus dedos se entrelaçavam aos meus, com uma delicadeza incrível em mãos tão ferventes, contando-me histórias de dragões que cuspiam fogo e princesas salvas por um corajoso com uma espada. Traz de volta aquilo que tínhamos quando a lua chegava.
Leve-me ao deck que costumávamos ver o sol se por, sob luz alaranjada você me girava devagarzinho, como se dançássemos nossa valsa real, me trazia para perto de ti, onde era meu lugar, e colocava minha cabeça sobre seu ombro, segurança, e só o que eu ouvia era tua respiração, tão perto de mim, poderia viver só desse momento, só sabendo que você está ali comigo, que é meu ombro.
Aquelas tardes que apostávamos corrida até a beira do mar e você nunca me deixava ganhar, só para quando eu chegar logo atrás de você, poder dizer que merece um prêmio, e me beijar enquanto eu ainda tento recuperar meu fôlego.
Traga-me de volta todos os nossos clichês, traga-me você.
Te vejo ao chegar da Lua, um dia, quem sabe.

26 de julho de 2012

Eu adormeci na frente da TV. Então eu esqueci o que estava pensando e, oh, você não quer saber... Isso é mais fácil? É divertido fechar os olhos? Nós vamos rodando e rodando, e para cima e para baixo, passando algo de dentro para fora. Nós estamos dirigindo do banco de trás, segurando com muita força, as cores e vozes se misturam gritando e berrando... E eu sento e assisto minha mente tentando e fazendo as coisas funcionarem, e acho que está claro. E os brilhos lá de fora, talvez só o reflexo do poste de luz logo do outro lado dessa parede a qual observo toda hora enquanto escuto o tic tac do relógio... Essas luzes refletindo em meus óculos, como queria que fossem elas fogos de artifícios, ou um sinal um motivo para deixar os olhos abertos.

20 de julho de 2012

Palavras não machucam. Você é que machuca elas.
Os pássaros ainda cantam, do lado de foram dessas janelas, onde nós sentamos juntos como se nunca nada tivesse acontecido aqui. A casa branca na colina, e nuvens negras do tempo além do rio. Ele ainda senta ali aquecida no brilho da tarde... Mas você não se importa com essas cenas que eu valorizo. Sobre esses ventos do oeste, eu sei, eu sei. Parece que tudo por aqui permanece como rocha. Parece que já é hora de deixarmos tudo isso para trás. Tudo deve recomeçar de um jeito novo, tudo simplesmente se vai desse jeito, meu amigo. Toda rainha sabe que isso é verdade. Que todo reino um dia deve chegar ao fim. E o sol, ele deve ter partido há muito tempo, perdido por essas memórias que achamos... Mas ele estará aqui quando tudo estiver terminado. E todo reino tem medo de chegar ao fim. 
E me encontre lá, nos feixes de flores... Nós esperaremos pelas horas de frio, o inverno uivará sobre as paredes, derrubando as portas do tempo, nos abrigando enquanto vamos. E me prometa isso, você esperará somente por mim, com medo dos braços solitários. Superfície, bem abaixo dessas palavras. 

17 de julho de 2012

E eu sinto falta. Falta de quando deito no teu colo e nada mais importa, só o teu carinho sobre o meu cabelo embaraçado, e as tuas palavras desconectadas. De quando tenho que te olhar nos olhos e dizer que não me importo, que está tudo bem, que já passou, que não poderia ser pior. Falta de você rindo de mim, convencendo-me que sou estranha, e que é a melhor coisa que posso ser. Você com suas palavras leves que me pegam pesado em pura consciência, você com suas palavras repetidas com razão. Sinto falta de nós deitadas sobre o sofá, mais bagunça impossível. Pipocas, embalagens de chocolate, um filme idiota na tv, umas três cobertas amassadas, risadas altas. Filme ruim sobre casamentos, sucos "bonitos" de laranja, estralos de dedos. Da sujeira na varanda com sabão e água numa chuva de verão que resolvemos escorregar e provavelmente machucar-nos. Sinto falta. Só mais 14 dias? Duas semanas? Em duas semanas juntas, fazemos o mundo... Como passar mais duas semanas vendo-te fazer o mundo sem mim?

16 de julho de 2012

Me ame. O principal é isso, me ame! apenas isso… Mas de uma maneira verdadeira, de uma maneira incontrolável. Me elogie, me abrace sem motivos, sussurre em meu ouvido que me ama e me beije quando eu não estiver prestando atenção… Faça com que eu me sinta a pessoa mais importante do mundo, como se eu fosse uma princesa, como se eu fosse um tesouro raro encontrado nas ilhas mais longes do chão! Faça com que eu sinta que eu estou voando sobe as nuvens, me sentindo a mais linda menina da face da terra! Apenas faça. Não pense, apenas me surpreenda, me olhe nos olhos e diga que me ama, diga que me quer pra sempre perto de você! Diga que eu sou sua e de mais ninguém, aperte minhas bochechas, que parecem pão de queijo, e são minha bochechas, mas com certeza de alguma forma são suas também. Não sinta ciúmes de tudo, pois se eu digo que sou sua acredite, pois eu estou falando a verdade. Não duvide nem discorde de mim. Peço elogios, e muitos, mas que eles sejam verdadeiros por favor, como diz a história do Bambi ” se não tem nada de bom para falar, não fale nada “. Não me chame de simpática, pois isso eu sei que eu não sou, eu sou chata, eu discordo de tudo e sempre me posiciono em frente a todos, posso não ser superior e isso eu sei que eu não sou, mas eu também não sou qualquer uma, não sou uma boneca, posso parecer mas não sou, mas lembre-se, meninos não brincam de boneca, por isso nunca me minta, me conte tudo sempre. Prefiro a pior verdade do que uma mentira, porque dessa forma eu vou saber que eu realmente importo algo para ti. Não diga que me ama enquanto fica com outras meninas e diz a mesma coisa pra elas, já me decepcionei demais com isso… Por favor, seja verdadeiro, da mesma forma que eu sou com você! Não faça com que eu sinta ciúmes das outras garotas, faça com que as outras garotas me invejem. Faça com que elas desejem estar onde eu estou, do seu lado. Se é que isso será possível um dia, espero que sim, acredito que sim. Espero que algum dia possamos andar juntos de mãos dadas e rindo, espero que algum dia possamos andar em cima do mesmo skate e que algum dia você me ligue durante a madrugada e diga que apenas queria ouvir minha voz. Espero e quero que isso aconteça. Não sou muito boa de palavras, mas sei que essas poucas são suficiente para expressar o que eu sinto. Enfim, quantas lágrimas eu derramei por você? Quantas tardes perdidas eu tive? Fale-me! Porque? Porque tanto tempo desperdiçado com uma coisa tão fútil? Diga-me! Só acredite, quando eu digo um eu te amo, é pra valer!
-Por Vitória Tostes, rabiscando-a-felicidade
E tudo é uma magia. Magico, isso aí que você tem sobre mim. Não que eu seja do tipo que se apaixone, nem do tipo que fique falando sobre "o brilho dos olhos" de alguém. Mas tem algo em você que me destrói. É como se quando você estivesse por perto, tudo fosse nada além de... tudo. Nada se passa do resto, de outros, de coisas, travessuras a parte. É como se o teu braço sobre o meu ombro frio fosse meu maior colo, meu maior conforto, conselho, carinho. Seu toque meu calmante, minha pausa de angústia, minha sina, minha maior dor... Dor essa coisa chata. Insistente ela. É como se essas voltas, piruetas, não adiantassem, sempre aqui por alí, contigo por si só. Como nós em nada mais, poeira ao alto, pensamentos largados na maior rede de erros. Palavras descruzadas as nossas, minhas, tuas, por meio a negações de um amor que ninguém conhece... Perco o fôlego, meu olhar, minha visão. E tudo é somente um toque, estúpido, passageiro. Motivo de noites mal dormidas, de pensamentos mal acabados, de lágrimas fortes derramadas sobre fotos imaginárias partidas da minha mente cheia de você. Nós. Coragem. Força. Outra menina. É ela, não é? Seja feliz então... Eu fico com aquela magia de maio.

14 de julho de 2012

Criança adorável, deite sua cabeça e durma. Sonhe com um mundo cheio de brinquedos de circo e com ruas de ouro. Criança solitária, por que você está tão triste Por que as lágrimas caem tão facilmente? Você é jovem demais para chorar. Então você só pede você espera para os dias melhores quando você estará segura. E algum dia em breve você encontre onde você pertence, onde não há mais canções de ninar quebradas. Quanto tempo criança, você já teve medo? Quando foi a última vez que você riu alto? A última vez que você brincou? Você constrói suas paredes com os cobertores da sua cama, se esconde por baixo delas, fecha os olhos e tentar esquecer. Eu sei que você sente como se estivesse sozinha, mas você não está, e eu sei que você sente como se ninguém soubesse, mas você está errada. E algum você vai encontrar um lugar onde o amor continua... Onde não há mais canções de ninar quebradas.
E talvez o sentido da vida seja o próprio procurar de um.
Olá, tem alguém aí fora? Porque eu não ouço nenhum som... Sozinha, realmente não sei onde o mundo está, mas eu sinto saudades de você agora. Estou no limite e estou gritando meu nome, como uma tola a plenos pulmões. Algumas vezes, quando fecho meus olhos, eu finjo estar bem, mas nunca é suficiente, porque meu eco, eco, é a única voz que volta. Minha sombra é a única amiga que tenho. Ouça, eu aceitaria um sussurro se isto é tudo o que você tem para dar. Mas não é. Você poderia vir e me salvar, tentar continuar essa loucura fora da minha cabeça.
Eu não quero ficar para baixo... Só quero me sentir viva e poder ver seu rosto de novo, mais uma vez. Só meu eco, minha sombra... Você é minha única amiga. 
Olá, tem alguém aí fora?
Eu não sei onde estou... Estou cansada de esperar. Estou esperando aqui constantemente, espero que eu encontre o que eu tenho perseguido. Eu atiro pro céu, estou cravada no chão, então, por que eu tento? Eu sei que vou cair. Eu achei que podia voar, então porque eu me afoguei? Eu nunca vou saber porquê.
Está vindo a baixo, baixo, baixo. Talvez eu não esteja pronta pra partir, porque então eu nunca saberia o que eu poderia estar perdendo, mas eu estou perdendo demais. Então quando eu desistir pelo que eu estive desejando? Caindo, caindo, caindo, não consigo achar outro caminho. E eu não quero ouvir aquele som de perder o que eu nunca achei.

9 de julho de 2012

Você supõe o céu... É como se eu não tivesse mais motivos para ter medo. Como se tudo o que eu vivi e tudo pelo o que passei estivesse dando resultado agora. Parece que tudo aconteceu como e quando tinha de acontecer. As ruínas me machucaram quando eu mais precisava me levantar, as derrotas me derrubaram no momento no qual eu não tinha mais pelo o que lutar. Os sorrisos me dominaram quando eu mais tinha chorado por isso, as conquistas vieram a tona quando eu realmente aprendi o que elas significavam pra mim. Sempre me disseram que "as coisas vêm fáceis pra quem corre atrás". Ta certo, não é mesmo. É claro que as coisas não vêm pra quem fica parado só esperando acontecer, mas desse jeito ingênua que sou, vou confessar que muitas vezes eu atrapalhei minhas conquistas por ter corrido atrás. Sabe, parece que elas chegaram tarde por eu ter corrido atrás, aí algumas vezes corri pra fora do caminho... Mas se bem que só quando realmente as conquistei que eu fiquei feliz, talvez fiquei mais feliz do que eu ficaria se tivesse conseguido isso em outra hora... É tudo uma confusão, entende? Não né... Ou sim, se você estiver em seu caminho. Ou simplesmente procurando um. Ou que você esteja mesmo no seu caminho, só não saiba que esse é ele. Ah, não tenho o que temer, é só procurar... A vida retribui os bons guerreiros.
- Supus o céu 

7 de julho de 2012

Ao Som de Hoje II

Ao Som de Hoje nessa noite de sábado chuvoso, nada melhor que um bom som da Arcade Fire.
Arcade Fire é uma banda de indie rock da cidade de Montrealno Canadá. Fundada em 2003 pelo casal Win Butler e Régine Chassagne, a banda é conhecida por suas apresentações ao vivo, como também pelo uso de um grande número de instrumentos musicais; principalmente guitarrabateria e baixo; mas também pianoviolinoviolaviolonceloxilofonetecladoacordeão e harpa.

2 de julho de 2012

“Nos últimos dias, eu comecei a achar as nuvens cinzas mais bonitas e puras do que as branquinhas. E eu me preocupei com isso. Antes de dormir, eu sentia medo de fechar os olhos e nunca mais abri-los. E com o tempo e por simplesmente ouvir o que as pessoas diziam, eu entendi que não era medo de não poder mais acordar. Acontece que nos sonhos eu podia ser quem eu quisesse, as coisas eram melhores, eu sentia a felicidade em mim. E ao acordar, toda a sensação boa se ia, sorrateiramente, diante dos meus olhos. Eu tentava puxá-la de volta pra mim, mas era como tentar pegar fumaça. Como tentar pegar fumaça com as mãos. E o dia passava cinza, até a noite chegar. Por mais idiota que isso seja, a escuridão tinha mais cor do que o céu azul. Talvez porque, a escuridão me permitia pintar o céu do jeito que eu quisesse, enquanto o dia era azul e ponto. Isso faz sentido? E enquanto o céu tá chuvoso pra você, eu estou toda molhada pintando o meu de cor-de-rosa. E eu tô feliz por dentro, mas eu não sei mais transparecer o que eu sinto. E por essa razão, eu não sei amar. Às vezes, eu acho que estou amando e aí eu me perco no meio do meu céu pintado e eu já não sei mais o que eu tô sentindo. Às vezes, eu acho que meu céu é você e que, à noite, eu sou feliz porque posso ficar contigo, te pintar e te deixar feliz. E de dia, eu e você somos cinzas. Distantes. Sempre nos imagino coloridos no meio de todo o cinza. Mas só imagino e nos pinto no meio da imaginação. É uma sensação bem boa. Quando nos tocamos, ficamos quase azuis como o céu, e voltamos pro cinza numa questão de segundos. Hoje você me abraçou e ficamos coloridos de arco-íris. Imagina a imensidão de cor quando tua boca encostar na minha. Ah, meu bem, depois disso, eu não vou mais precisar pintar o céu à noite.”
— E, eu não vejo a hora de não precisar mais pintar o céu a noite…
- Por Júlia Trindade (pourelise)

1 de julho de 2012

- Está sentindo, pequena, a Lua de Julho?
- Como assim, mestre? É possível que eu sinta a Lua?
- Não ela por si... Mas o brilho dela... Consegue?
- Sim... Quer dizer, eu acho.
- Acha, pequena? Não tem como "achar"!
- Não sei não, Mestre... Eu estou sentindo algo, mas será isso o brilho da Lua de Julho?
- Isso só você consegue descobrir.
- Mas como? Se tudo o que eu sinto, mestre, é um nó dentro de mim... Mas não um nó ruim...
- Um nó? Só isso?
- Não... Um nó que mistura mil e uma ideias, sabe, como se tudo isso, esse nó, fosse melhorar, ser o meu melhor...
- Ah, pequena... Um tipo de esperança?
- Isso... Acho que esperança é o meu brilho da Lua de Julho.

30 de junho de 2012

Ao Som de Hoje I

Olá Inocentes! Essa é a primeira edição do meu novo seriado de posts, que dei o nome de "Ao Som de Hoje"!
Trata-se de um post por sábado, onde recomendo uma banda, cantor ou música. Espero que curtam!


Ao Som de Hoje, com esse Sol maravilhoso na espera de Julho, merece um grande som da banda Little Joy.
A banda é estadonidense/brasileira e foi criada em 2007 na Califórnia., composta por Rodrigo Amarante (guitarrista e vocalista dos Los Hermanos)Fabrizio Moretti (baterista do The Strokes) e Binki Shapiro.
Eles tocam músicas no estilo indie rock, e pra mim as músicas deles tem maior clima de "afinal, vamos ser felizes".


29 de junho de 2012

“Então, Era Uma Vez Milena”, por Isabella Queiroz.
Mesmo eu dizendo que ela é uma retardada, Milena Luft é praticamente minha mãe. É quem me explica e ensina as coisas, como se eu fosse eu um bebê aprendendo a andar. Ou uma fada aprendendo a voar (eu sou uma fada). É, ela gosta de me mostrar que está certa, e pior que às vezes ela está mesmo. Ela não é do tipo que fica brava fácil, mas quando fica é hilário, fica toda vermelhinha. É um amor. Ela não é do tipo que demonstra falsos sentimentos, não mesmo. Ela reclama de tudo, se satisfaz com qualquer coisa. Princesa que dança sem música. Ela realmente sabe como me proteger, ela sabe quando tem que me proibir de fazer ou falar algo, ou quando é melhor me deixar fazer tudo o que eu quiser. É incrível como ela sempre sabe como vou reagir a qualquer coisa da vida. Ela é alguém com quem eu posso ficar uma hora e três minutos no telefone falando sobre torrada com ovo. Quando eu conheci a senhorita Luft, digo conhecer mesmo, de saber quem ela realmente é, eu finalmente comecei a ter um pensamento otimista sobre tudo o que iria enfrentar. Acho que ela não faz ideia do quanto a minha vida mudou depois daquele mês de junho, que foi quando tudo começou. Eu nunca fui do tipo que rotula pessoas, mas a gente sente, sabe? Essa menininha aí é minha melhor amiga. Ela é simplesmente minha. Ela é minha quando faz cafuné em mim, ou quando fica passando os dedos nas minhas costas antes de dormirmos. É minha quando reclama de acordar cedo, ou de não ter dormido. É minha quando me apoia na ideia de construir uma ONG que ajudaria duendes indefesos. É minha quando assistimos filmes da Barbie ou da Xuxa, é minha quando reclama e faz um escândalo porque tem que ler um livro de, sei lá, 20 páginas pro dia seguinte, é minha quando é exagerada assim. Ela é minha quando está cantando uma música só pra me irritar, aí ela aperta os olhos enquanto da uma dançadinha. É minha quando passamos horas nos arrumando no carro em uma viagem, e nos final eu só fico confortável quando deito no colo dela. Quando ela reclama de eu roubar a coberta dela, quando reclama que eu deveria estar dormindo na casa dela. Ela é do tipo que fica brava e me olha nos olhos quando sabe que estou mentindo sobre estar bem, é do tipo que me olha nos olhos pra falar que sentiu minha falta. Eu nunca tive que falar “vamos ser amigas para sempre”. Claro que vamos! Quer dizer, a gente vai crescer, ir para faculdades, talvez cidades diferentes... Talvez iremos nos ver só nos finais de semanas, ou nem nos veremos. Ela com certeza virá pra Lajeado todos os fins de semana, vai ter uma rotina organizada e contas em dia, enquanto eu vou estar desistindo de mil faculdades, vou perder contato com muita gente e provavelmente vou ser despejada do meu apartamento. Aposto que ela vai me ajudar na mudança cada vez que eu for despejada. Continuaremos sendo amigas. Sempre fomos, só não sabíamos disso porque eu tinha um top com alças rosa neon que ela queria também. Acho que de 300, 290 eu passo ao lado dela. E ainda acho pouco, muito pouco, mesmo dizendo que enjoei dela. Nunca enjoei. A Milena é do tipo de amiga/irmã que tá sempre contigo, te dando colo, ombro pra chorar, conselhos bobos e inteligentes, e ainda por cima pede desculpa por não estar presente em todos os momentos que precisava, mesmo sendo que ela nunca esteve ausente. É do tipo de pessoa com a qual posso ficar horas falando da mesma coisa, que ela não vai pedir para eu mudar de assunto, nem parar de se importar, pois sabe que tudo o que eu preciso no momento é ser ouvida. A Pih é do tipo de pessoa que com certeza vai chorar quando ler tudo isso... Mesmo odiando coisas muito compridas para ler, ou qualquer coisa que vá gastar o tempo precioso dela, no qual ela poderia estar fazendo “lindos” desenhos de abelhas nas unhas. Mas eu sei que ela vai ler isso várias vezes... Sabe, eu demorei mais ou menos seis meses pra conseguir escrever tudo isso, e eu tenho certeza que vai ter um mínimo detalhe, talvez que algumas vezes eu escrevi como se estivesse falando com ela, e algumas vezes sobre ela, e ela vai vir querer tirar satisfação comigo... Coisas de Milena. Falando sério agora, quero que tu saiba que, acima de tudo, de qualquer brincadeira ou reclamação, tu é tudo o que eu sempre precisei, tu é mais do que especial, mais do que essencial. Eu sei que eu nunca vou estar em um retrato do prézinho ao seu lado, pra mostrar para os seus filhos um dia, quem era sua amiga de infância. Sei que demoramos demais para perceber que seríamos as melhores amigas do mundo, ou qualquer coisa desse tipo. Eu sei dessas coisas, mais do que qualquer pessoa. Sei também, Milena, que tu esteve presente em tudo o que teve importância, aturou minhas várias fases, e eu tenho que te agradecer por nunca desistir de mim. Sabe, foi bem difícil encontrar alguém que não vira a cara quando falo dos duendes. Sei que sempre dizemos que não faz mal você estar uma série acima... Não faz. Claro que seria mais fácil falar contigo se tu estivesse sentada na classe ao meu lado, ou se eu estivesse na lista de presença da tua viagem das oitavas... Mas tudo acontece como deve acontecer. É alguém que nunca pediu para que eu mudasse, mas me mudou, me preparou para tudo o que vivi. Pih, eu sei que quando eu postar isso, vou me arrepender de não ter escrito algo, mas não te preocupa, se faltar qualquer coisa, eu te abraço forte e digo. Afinal, é o que eu venho fazendo nesses últimos dois anos.
Milena, tu é tudo pra mim. Eu te amo.
Maior do que a falta que sinto dela, é a falta que sinto de como ele era quando ainda tinha ela...

27 de junho de 2012

- E olhe só, pequena, se olhar para trás, e abrir bem sua mente, irá se lembrar de quando falei sobre o Sol de Junho para você. Enxergou ele?
- Sim mestre... Quer dizer, eu acho.
- Como assim, pequena?
- Não sei não... Será possível que fui para o lado errado e acabei encontrando um outro Sol?
- Um outro Sol? Só existe um Sol...
- Sim mestre, mas será que não consegui encontra o Sol de Junho e então criei meu próprio Sol?
- O que quer dizer com o seu próprio Sol, pequena? Quer dizer que acabou se contendo com outra luz?
- Exato! Talvez me iluminei com o raio errado, entende?
- Na verdade não pequena... Parece confuso. Confusão.
- Exatamente... Esse é o Sol que enxerguei.
“27 de junho de 2011”.
Para os calendários, doze meses atrás. Para os bobos, data de hoje com um erro no ano. Para os pessimistas, mês frio do ano passado. Para a maioria, menor importância. Mas para mim, uma data que mudou tudo. “O nome... Podia ser algo como “sorriso inocente”. Inocente, inocência, innocence... Innocence of a...” E travei. “Innocence of a” o que?! Nem um pouco persistente, já estava até desistindo de criar o blog. “Aí, não tenho nem uma ideia em mente” Mente! Era isso! “Innocence Of A Mind”. Inocência de uma mente, para quem nunca prestou a atenção no significado. Interprete do jeito que quiser. Uma mente inocente, ou a procura da inocência de uma. Com seu design todo cor-de-rosa, comecei a escrever no meu Innocence.
Na época, Innocence Of A Mind, média de três visitantes por dia, cinco ou seis postagens por semana, e uma escritora feliz.
Até que eu tinha leitores sim! Meu irmão, minha mãe, e meu pai. Mas aí teve um dia, que eu estava na escola, e um colega meu falou “Bem legal, aquilo do teu blog”. E eu fiquei tipo, hein? Meu blog? Meu Innocence? Eu realmente tinha leitores! Comecei a escrever diariamente, ou quase. Com o tempo, e a tecnologia de tradutores, Innocence virou mundial, contando com leitores, “inocentes”, como gosto de chamar, Alemães, Russos, Portugueses, Canadenses, Americanos, Argentinos, Letões e Ucranianos. Comecei a receber pedidos de ajuda, gente que se sentia perdido e acreditava que eu conseguiria ajudar! Eu não poderia estar mais feliz. Sabe por que eu estou fazendo esse texto, agora? (Porque é niver de um ano do Innocence, né Isabella. Dãã) Eeer, bom, por isso também. Mas na verdade eu só estou aproveitando pra falar com os meus leitores, meus Inocentes. Todos os textos que escrevi, durante esse um ano, são de forma indireta. Nunca usei palavras que falem direto aos leitores, e tenho um motivo. Minha ideia era que quando entrassem no Innocence, esquecessem que a Isabella Queiroz que o escrevia. Queria que meus textos fossem lidos como uma espécie de subconsciência, uma vozinha dentro da nossa cabeça. Entendem? Mas hoje, é um texto da Isabella Queiroz para os seus inocentes. Hoje, dia 27 de junho de 2012, faz um ano que criei algo que para muitos parece bobagem, mas para mim é a melhor coisa que já me aconteceu. O Innocence já foi motivo de muitas coisas na minha vida, já foi meu estimulante, já foi o meu melhor amigo, já foi o meu único jeito de sorrir, já foi meu refúgio, já foi minhas mil e uma fases, já foi inspiração, já foi e sempre será. Para os poucos que estão lendo esse longo texto, eu digo obrigada. Obrigada a todos que fizeram parte disso, a todos que acreditaram que daria certo, a todos que acreditaram que EU faria dar certo. Um obrigada especial ao meu pai e minha mãe, que sempre viram os erros de português e me corrigiram, que sempre leram e elogiou quando merecido. Para a Júlia, que tanto já postei os textos dela no Innocence, pelo tanto que já foi inspiração. Obrigada a Milena e a Taís Dotto, que tanto já entenderam o Innocence, que tanto já tiveram que viver comigo o que eu passava para os textos. Obrigada ao Bruno, que sempre será meu melhor leitor. Ao Renan, por tantas vezes que elogiou, por tantas as vezes que me ajudou com o design. Obriga a Nati Martins, a Taís Bettio que são quem eu estarei sempre pronta a ajudar. E muito obrigada a todos os leitores ou simplesmente visitantes, muito obrigada a todos que já fizeram meu dia ser melhor lendo algum dos meus textos, ou até se identificando com eles. Muito obrigada a quem criticou também. Obrigada pelas palavras malvadas sobre o Innocence, pois só tenho uma coisa a dizer: É UM ANO, INNOCENCE! UM ANO!
Innocence Of A Mind, um ano de existência, uma média de 90 visitantes por mês, um total de mais de 11,200 visitantes nesse um ano, vindo eles de todas as partes do mundo, mais de 600 postagens, e uma escritora muito feliz.

25 de junho de 2012

Me lembro claramente. Não digo como se fosse ontem, mas lembro. Anos e anos se passaram, mas o Felipe Cecconello sempre esteve por aqui. Lembro de acordar de manhã bem cedinho, quando ele ia pra escola com a gente, e eu ficava vendo "Dora, a Aventureira" e ele rindo da minha cara por que odiava o desenho. Lembro de todas as noites que a eu, ele e o Bruno brincávamos de esconde-esconde, das coisas quebraram. Já era rotina. O Felipe praticamente virou meu irmão. Todos os dias com a gente, rindo, se divertindo, e dando uma de Felipe, com aquele jeito que só ele tem. Os anos se passaram, e eu não sou mais aquela pequeninha que brincava de esconde-esconde e ele não é mais aquele menininho maluco. MENTIRA. Ele ainda é o menininho maluco. Chegou uma parte da história toda, que o Felipe era tão da família, que eu até esquecia de demonstrar como ele era especial. E bobo como ele é, ele foi acreditando que não era. Como na vez que eu não dei o primeiro pedaço do bolo pra ele no meu aniversário, ou todas as cobranças de eu nunca ter escrito nada pra ele. Viu Felipe, eu finalmente to fazendo o teu texto. Eu reclamo, sempre to reclamando, quando tu chega aqui em casa (tipo, todos os dias) e faz alguma brincadeira comigo, ou alguma provocação. Mas Felipe, tu sabe que não teria graça se eu não ficasse irritadinha. Todos os momentos importantes que já tive, todos tu teve uma participação, e cada vez que pensar em algum deles, vou lembrar de tu estar do meu lado. Todos dizem: mas ele é só o amigo do teu irmão... Só o amigo do meu irmão? Aquele menino mora na minha casa! Aquele menino é um dos melhores amigos que eu tenho! Aquele menino sempre esteve presente, sempre esteve ao meu lado! Aquele meninos sempre se preocupou, sempre me ajudou, sempre me fez rir. Aquele menino é uma piada. Antes mesmo de eu estar no Mellinho, antes mesmo de eu ter cinco anos de idade, o Felipe esteve por aqui. O Felipe viu a construção da casa, eu apagando umas 8 velas de aniversário, ele viu, ele participou, ele está em tudo. Felipe, obrigada por tudo, e finalmente, esse é o teu texto, depois de muito tempo. Eu te amo, seu doido.