Lá de fora nada se ouvia. Nem o canto dos pássaros, nem o barulho que água da cachoeira faz ao cair no riacho, nem o barulho que o vento, mesmo sendo de leve, faz ao bater no vidro da minha janela. Aqui dentro escuto só o tic tac que faz o meu relógio ao marcar as horas que estão parecendo infinitas. Sento em minha pequena cadeira de madeira clara, e largo meu café na mesinha que está em minha frente. Está tudo fechado, escuro. O que vejo ao sentar é uma parede que um dia já foi branca. A luz vem do Sol que passa entre o fino espaço que tem entra as tábuas de madeira postas na frente da janela. Em cima da mesa começo a procurar qualquer coisa para me fazer sorrir no meio de toda aquela bagunça. Encontro então, folhas em branco. Pego um lápis que estava ao lado do meu café, e bebendo um gole, passo a mão várias vezes sobre o papel. Fico olhando por horas para todo aquele material. Quando começo a realmente escrever algo, me insatisfaço. Amaço a folha, bebo meu café que agora já esfriou, quebro vários lápis. Desconcentro-me algumas vezes com o barulho do relógio pendurado, meio torto, na parede que está ao meu lado direito. Aperto bem os olhos para conseguir enxergar as horas. Olho para as folhas novamente, agora determinada a escrever o que realmente sinto. Só tem um problema. Eu já gastei noites inteiras para tentar desvendar o que eu realmente estou sentindo e ainda não obtive resultados.

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